ico_arrowCultura e Tradições Russas

Arte Russa

A história da arte russa começa com a conversão da Rússia ao cristianismo. É claro que já existiam artesãos talentosos antes deste período, o tipo de pessoas que era mestre a fazer instrumentos de percussão, harpas, a esculpir estatuetas de animais, a inventar ornamentos diferentes para decorar as roupas, e a esculpir ídolos de pedra (Essas estátuas de pedra foram colocadas nos túmulos dos homens mais ricos para protegê-los.).Uma vez batizada, a Rússia começou a tomar contacto com a arte bizantina. As suas igrejas cristãs mais antigas, especialmente as de Kiev, foram construídas e decoradas com ornamentos e mosaicos que respeitam os cânones bizantinos, por mão-de-obra estrangeira. Durante muitos anos, os russos eram aprendizes, enquanto que o verda­deiro trabalho esteve a cargo de arquitetos bizantinos. As antigas catedrais em Novgorod, apesar de terem sido construídas pelos gregos, não eram totalmente bizantinas nem eram maus elementos da cultura romana ocidental, não apenas quanto ao seu “design”, mas também na for­ma como foram decoradas. As relações comerciais com o Ocidente deixaram a sua marca até na Catedral de Santa Sofia, o monumento que foi construído em 1045.

Os anos foram passando. Os Russos começaram a construir igrejas com as suas próprias mãos; as obras que construíram eram muito originais tanto em relação ao Império Bizantino como do Ocidente. Apesar de terem certos traços estrangeiros, foram construídas de acordo com o estilo nacional – os aprendizes russos estavam à procura do seu próprio estilo -, e também os professores - que já estavam a viver há muito tempo na Rússia - come­çaram a preocupar-se em construir igrejas num estilo russo.A espantosa Igreja da Intersecção da Santa Virgem no Nerl, construída em 1165, é um belo exemplo disso mesmo. Outro traço original adveio de os artesãos russos começa­rem a recorrer a idéias e a elementos que encontraram na arquitetura nacional do passado: por exemplo, a Igreja da Ascensão do Cristo em Kolomenskoye, Moscou, a Catedral de São Basílio em Moscou, e as igrejas de madeira em Kizhi – a forma e até os ornamentos sugerem ar e liberdade.

Também os pintores russos foram presos inicialmente num trabalho rígido de emolduramento, que os limitava à pintura de ícones e de frescos de igreja. Assim, os artistas foram for­çados a aperfeiçoar o seu engenho através da pintura, vezes sem conta, das mesmas imagens, faces e posições. O mais conhecido pintor russo de ícones é Andrei Rublyov (1360-1430). A sua biografia está extremamente incompleta.O mais provável, é que ele fosse um laico e trabalhasse como artista com a oficina do Grão Duque até aos seus 40 anos, e só depois disso fez os votos mo­násticos. Rublyov pintou para as principais igrejas de Mos­cou – a Catedral da Anunciação do Kremlin de Moscou, a Catedral em Vladimir e a Catedral de Trindade, que foi construída perto da campa de São Sérgio de Radonezh, um dos santos mais invocados na Rússia.

Os quadros de Andrei Rublyov brilham com calor e sinceridade do sentimento religioso; emanam uma sentida gentileza. O seu trabalho mais fa­moso, “A Trindade”, está entre as maiores obras de arte criadas pela humanidade. Só mais tarde é que os aprendi­zes russos adquiriram o conhecimento e a experiência que precisavam e se tornaram suficientemente confiantes para se afastarem dos exemplos estrangeiros, e sentirem que havia qualquer coisa que eles podiam relatar ao mundo.Só aí é que nasceu a verdadeira arte russa. O poeta Alexan­der Pushkin marcou o nascimento da grandiosa literatura russa, que deu ao mundo nomes como Dostoevsky, Tolstoi, Chekov e muitos outros, até ao último Prémio Nobel da Li­teratura russo, Josef Brodsky. O compositor Mikhail Glinka assinalou o início da grande música da Rússia, que deu ao mundo nomes como rakhmaninov, Stravinsky, Prokofiev, Shostakovitch e etc (Este modesto “Etc.” pode representar a fama de dezenas de países de todo o mundo).

Dois quadros excepcionais, “A morte de Pompeia” de Karl Bryullov e a “Aparição de Cristo ao Povo” de Alexander Ivanov, determinaram o início da grande pintura russa. Hoje, estas obras de arte estão guardadas em dois dos melhores museus de arte da Rússia: o Museu Russo em São Petersburgo e a Galeria Tretyakov em Moscou.

Os pequenos tea­tros russos com atores que eram servos deram o primeiro passo para a formação da escola russa de artes dramáticas, que acabou por formar nomes como Stanislavsky, Nemirovich-Danchenko, Meyerhold, Mikhoels, Vakhtangov e muitos outros proeminentes directores. Depois de ter estudado a arte de dançar ballet dos franceses e de bailarinos estran­geiros, o Teatro Bolshoi de Moscovo e o Teatro Mariinsky em São Petersburgo passaram a dominar a arte do ballet e depois ganharam fama internacional.

Sergei Eisenstein e o seu famoso “O Encouraçado Potemkin” marcaram o início da fama mundial do cinema russo.

Tal como a língua russa se tornou a língua de comunicação entre todos os povos dentro do país, a cultura e arte russas tornaram-se uma importante fonte e uma escola que dotou de habilidades e que inspirou muitas culturas nacionais. Não há nada de errado em relação a isto, já sabemos quanto os russos ganharam (e continuam a ganhar) das outras culturas. A própria cultura russa continua a crescer através da arte de muitos espantosos artistas nacionais e dos povos da Rússia. Este processo de mútua interacção apenas serviu para enriquecer muitos povos. O judeu Isaak Levitan tornou-se o mais famoso pintor russo de paisagens , e teve como mestre o grande pintor russo Savrassov. O étnico alemão Svyatoslav Richter tornou-se um pianista es­pectacular russo, tendo estudado música dos músicos rus­sos e judeus. O apelido do historiador proeminente Vasily Karamzin sugere que ele era de origem tártara. O original escultor russo Stepan Erzya/Nefedov/ encontrou inspiração no seu povo, os Mordvinos. O melhor dicionário da língua russa foi escrito por Vladimir Dal, cujo pai foi naturalizado Di­namarquês, e cuja mãe era alemã. O Abkhazo Fazil Iskander, que escreveu em russo, juntou à literatura moderna alguns influências provenientes do Cáucaso. Finalmente, o arménio Ivan Aivazovsky continua um inultrapassável pintor russo de paisagens marítimas.

Na Rússia, o Este e o Oeste – primeiro por força das cir­cunstâncias geográficas e nem sempre amigavelmente, e depois, tendo-se acostumado um ao outro (até os metais podem combinar quando firmemente pressionados), co­meçaram um domínio conjunto na forma de Rússia.

 

Artesanato Russo

As obras da arte popular russa são capazes de contar muito sobre o carater nacional russo, sobre a história da Rússia, sobre o ideal popular da felicidade e da beleza. A maior parte do artesanato apareceu nos tempos antigos, suas raizes são do ofício camponêz. A própria natureza mostrou ao homem os materiais e os temas.

A Rússia tem mais que 200 tipos de indústria da arte aplicada e de artesanato. Nas regiões florestais estava se desenvolvendo o ofício de torno, entalhadura em madeira ou casca de bétula. Nas áreas ricas de argila gorda nasceu arte cerámica. Nas regiões do norte da parte europeia da Rússia, no qual cultivaram linho apareceu arte de renda.

A região de Ural, zona de reservas naturais de ferro, de pedras semipreciosas e de fabricação é famosa por sua arte de fundição, de decoração das armas, por sua arte de trabalhar as pedras.

 

A lembrança mais famosa da Rússia é a boneca Matrióshka, pintada de várias cores brilhantes. Ela tem um pouco mais de 100 anos. Originou-se do boneco japonês – sábio budista Fukurumo. Poucos anos depois de aparecer à luz a Matrióshka já estava representada na Exposição Internacional de París onde ganhou medalha e reconhecimento mundial. Por dentro a  Matrióshka tem várias bonecas, cada uma menor em tamanho, cabendo umas nas outras. Tradicionalmente, a Matrioshka é uma camponesa. Contudo, os artesãos de hoje, seguindo as tendências políticas e de mercado, inventaram uma versão mais a­tualizada da boneca, tabalhando figuras políticas e estatais do século XX na mesma forma da Matrioshka.

Artesanato típico também é a cerâmica Gzhel, que traz o nome da aldeia Gzhel na região de Moscou. Canecas e brinquedos têm um desenho original em dois tons de azul sobre um fundo branco.
O desenho Jostovo, cujo nome vem de uma aldeia perto da cidade de Mytishi, também na região de Moscou, é apresentado nas bandejas metálicas, cobertas com tinta, óleo e depois de verniz, com flores e frutas de cores brilhantes em fundo preto.

As miniaturas Palekh vêm da região da cidade de Ivanovo, com a pintura tempera sobre cartão-pedra envernizado com cenas da vida cotidiana pintadas em caixas ou baús, ou motivos literários, históricos ou religiosos pintados em cores brilhantes em fundo preto. Essa arte tem sua origem no velho ofício de pintar icones. Nos anos 20 do século passado, no período do “ateismo soviético” este artesanato conseguiu sobreviver. Os mestres de icones começaram a fazer guarda-joias, broches, cigarreiras pintadas no estilo antigo substituindo as cenas de pinturas por mais adequadas ao regime soviético – cenas da vida soviética, cenas fabulosas, lendárias, históricas e literárias. Foi muito surpreendente a mistura da pintura fina e “espiritual” com o “conteudo materialista”: tratores, mulheronas e bandeiras rubras.

A pintura Khokhloma vêm de uma aldeia na região da cidade de Nizhny Novgorod. Ela nasceu no século XVII e desde então a tecnologia alterou pouco. É caraterizada por objetos de madeira (colheres, uten­sílios de mesa, etc.), decorados com um desenho flo­ral, delicado, em cores rubro, preto e dourado.

Os brinquedos Dymkovo são do distrito da cidade de Vyatka. As estatuetas em barro são cozidas, cobertas com tempera e decoradas com ouro.

 

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